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19 de dezembro de 2018
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1 de agosto de 2018

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Ataques a carros fortes, casas lotéricas e explosão de caixas já acontecem em 70% dos estados

Foram registrados neste ano 1.276 crimes, aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2017

BRASÍLIA — Um levantamento nacional realizado por uma das principais entidades de segurança privada do país revela em números o avanço histórico do crime organizado contra instituições financeiras de todo o país. Obtido pelo GLOBO com exclusividade, o relatório da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Segurança Privada (CONTRASP) mostra que as quadrilhas especializadas em ataques a carros fortes, explosões de caixas eletrônicos e arrombamentos de casas lotéricas e unidades dos Correios nunca estiveram tão atuantes e com um poderio bélico — metralhadoras antiaéreas, fuzis, explosivos e carros blindados — tão sofisticado. Durante os primeiros seis meses de 2018, a explosão de ataques, em relação ao mesmo período do ano passado, foi registrada em19 das 27 unidades da federação.

Enquanto as empresas de segurança e as forças públicas nos estados atuam com armamento padrão — pistola e fuzil —, os criminosos têm se valido de metralhadoras ponto 50, AKs 47, AR 15, além de explosivos e detonadores de última geração. O relatório mostra que o número de crimes contra instituições que movimentam dinheiro atingiu uma triste marca histórica de 1.276 casos, no primeiro semestre de 2018. Isso significou um aumento de 17% no número de ataques na comparação com o mesmo período do ano anterior, que já havia sido considerado pela confederação como “extremamente crítico”.

O que mais preocupa as autoridades e os trabalhadores é o nível da violência empregada pelos bandidos, que no primeiro semestre de 2018 resultou em 38 mortes. O número é quatro vezes maior do que o de 9 mortos no mesmo período de 2017.

— O poder de fogo dos criminosos é assustador, muito incompatível com o armamento precário e desatualizado dos vigilantes. Eles encaram a morte diariamente em serviço, protegendo o patrimônio e a vida de terceiros, e são ceifados em serviço. Precisamos de uma mudança urgente na legislação do setor — explica o presidente da CONTRASP, João Soares.

Os crimes mais violentos em 2018 aconteceram na atividade de transporte de valores, segundo o relatório. Foram registrados 70 ataques, o que representou um crescimento de 42,85% em relação às 39 ocorrências do período anterior. As transportadoras de valores informam que cada carro-forte custa em média R$ 200 mil, sendo que os ataques a esses veículos têm provocado um prejuízo anual acima dos R$ 500 milhões para o segmento.

BLINDAGEM DE PAPEL

Há duas semanas, na pequena Jaicós, no interior do Piauí, um carro-forte foi atacado por assaltantes fortemente armados, na BR 407. Um dos seguranças foi baleado no braço. O veículo que transportava o dinheiro foi atingido por disparos de uma arma ponto 50. Os vigilantes contaram que o projétil rasgou a blindagem como se fosse papel. O motorista perdeu o controle do veículo e saiu da rodovia. Cercados por vários homens em dois carros, os seguranças tiveram que fugir pela vegetação à margem da rodovia. No local foram encontradas cápsulas de armas ponto 50 e 762.

Outro destaque do relatório é o aumento do índice de ataques a caixas eletrônicos. No primeiro semestre de 2018, foi registrada a marca histórica de 699 ataques desse tipo. O caso mais recente aconteceu na madrugada desta quarta-feira, em Mombuca (SP). Segundo a polícia, a agência bancária foi atacada com o uso de explosivos por um grupo criminoso fortemente armado. Além dos caixas eletrônicos, os vidros do banco e a porta foram danificados.

Esta foi a segunda vez em apenas dois meses que a agência foi alvo de criminosos. No dia 16 de maio, suspeitos danificaram um caixa eletrônico e tentaram abrir o cofre do banco, mas não conseguiram levar dinheiro. A agência ficou danificada e no local foram encontradas munições de fuzil.

Em outro caso recente, no último sábado, uma quadrilha explodiu uma agência do Banco do Brasil, em Goiânia. Numa operação cinematográfica, durante a madrugada, o grupo criminoso, portando explosivos e armas de grosso calibre, invadiu a agência atirando para todos os lados. O banco também foi alvo pela segunda vez, no período de um ano, e ficou tomado por estilhaços de vidros e peças do equipamento.

ASSALTOS A BANCOS CRESCEM NO RIO

Os dados do relatório obtido pelo GLOBO são alarmantes. O número de assaltos a agências dos Correios subiu de 75 no primeiro semestre de 2017 para 151 no mesmo período de 2018, aumento de 101%. No segmento de casas lotéricas, o número de ataques subiu 65%, de 78 para 129.

Segundo a Confederação, o transporte de altas quantias em dinheiro, apesar de feito por profissionais qualificados e treinados não têm assustado os bandidos. “Os profissionais não têm equipamentos nem armas para proteger a própria vida. O resultado é o aumento contínuo de sinistros a cada ano”, diz, em nota, a entidade.

O relatório também contabiliza 176 assaltos a banco, 12 a menos que o ano anterior, quando as agências registraram um pico de violência. O segmento de bancos foi o único que que teve uma leve baixa no número de ações criminosas, movida pelo melhor desempenho de São Paulo. Outros estados, como o Rio de Janeiro, não tiveram o mesmo êxito.

No estado fluminense, que figura entre os mais violentos do país, subiu de 1 para 10 o número de assaltos a banco na comparação do primeiro semestre de 2017 com o primeiro semestre de 2018. O estado também registrou, em 2018, 49 assaltos a caixas eletrônicos.

De acordo com dados da Federação Brasileira de bancos (Febraban), os bancos empenham grandes esforços para contribuir com as autoridades no combate a esse tipo de problema de segurança pública, do qual também são vítimas. O setor investe cerca de R$ 9 bilhões em segurança bancária todos os anos, o triplo do que era investido dez anos atrás.

Procurada pela reportagem, a assessoria dos Correios afirmou que a empresa desenvolve ações preventivas em parceria com os órgãos de segurança, tanto em nível estadual quanto federal. As ocorrências são imediatamente comunicadas aos órgãos de segurança pública (Polícia Federal e Polícia Militar) para providências investigativas.

Os Correios dizem que investem em diversos recursos de segurança para as Agências: Alarme monitorado, botão de pânico, cofres inteligentes, portas com detector de metal e vigilantes. Somente em 2017, os investimentos dos Correios com recursos de segurança para suas unidades foram na ordem de R$ 185,9 milhões.

FONTE: O GLOBO

19/07/2018

Fonte: Contrasp - Foram registrados neste ano 1.276 crimes, aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2017 BRASÍLIA — Um levantamento nacional realizado por uma das principais entidades de segurança privada do país revela em números o avanço histórico do crime organizado contra instituições financeiras de todo o país. Obtido pelo GLOBO com exclusividade, o relatório da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Segurança Privada (CONTRASP) mostra que as quadrilhas especializadas em ataques a carros fortes, explosões de caixas eletrônicos e arrombamentos de casas lotéricas e unidades dos Correios nunca estiveram tão atuantes e com um poderio bélico — metralhadoras antiaéreas, fuzis, explosivos e carros blindados — tão sofisticado. Durante os primeiros seis meses de 2018, a explosão de ataques, em relação ao mesmo período do ano passado, foi registrada em19 das 27 unidades da federação. Enquanto as empresas de segurança e as forças públicas nos estados atuam com armamento padrão — pistola e fuzil —, os criminosos têm se valido de metralhadoras ponto 50, AKs 47, AR 15, além de explosivos e detonadores de última geração. O relatório mostra que o número de crimes contra instituições que movimentam dinheiro atingiu uma triste marca histórica de 1.276 casos, no primeiro semestre de 2018. Isso significou um aumento de 17% no número de ataques na comparação com o mesmo período do ano anterior, que já havia sido considerado pela confederação como “extremamente crítico”. O que mais preocupa as autoridades e os trabalhadores é o nível da violência empregada pelos bandidos, que no primeiro semestre de 2018 resultou em 38 mortes. O número é quatro vezes maior do que o de 9 mortos no mesmo período de 2017. — O poder de fogo dos criminosos é assustador, muito incompatível com o armamento precário e desatualizado dos vigilantes. Eles encaram a morte diariamente em serviço, protegendo o patrimônio e a vida de terceiros, e são ceifados em serviço. Precisamos de uma mudança urgente na legislação do setor — explica o presidente da CONTRASP, João Soares. Os crimes mais violentos em 2018 aconteceram na atividade de transporte de valores, segundo o relatório. Foram registrados 70 ataques, o que representou um crescimento de 42,85% em relação às 39 ocorrências do período anterior. As transportadoras de valores informam que cada carro-forte custa em média R$ 200 mil, sendo que os ataques a esses veículos têm provocado um prejuízo anual acima dos R$ 500 milhões para o segmento. BLINDAGEM DE PAPEL Há duas semanas, na pequena Jaicós, no interior do Piauí, um carro-forte foi atacado por assaltantes fortemente armados, na BR 407. Um dos seguranças foi baleado no braço. O veículo que transportava o dinheiro foi atingido por disparos de uma arma ponto 50. Os vigilantes contaram que o projétil rasgou a blindagem como se fosse papel. O motorista perdeu o controle do veículo e saiu da rodovia. Cercados por vários homens em dois carros, os seguranças tiveram que fugir pela vegetação à margem da rodovia. No local foram encontradas cápsulas de armas ponto 50 e 762. Outro destaque do relatório é o aumento do índice de ataques a caixas eletrônicos. No primeiro semestre de 2018, foi registrada a marca histórica de 699 ataques desse tipo. O caso mais recente aconteceu na madrugada desta quarta-feira, em Mombuca (SP). Segundo a polícia, a agência bancária foi atacada com o uso de explosivos por um grupo criminoso fortemente armado. Além dos caixas eletrônicos, os vidros do banco e a porta foram danificados. Esta foi a segunda vez em apenas dois meses que a agência foi alvo de criminosos. No dia 16 de maio, suspeitos danificaram um caixa eletrônico e tentaram abrir o cofre do banco, mas não conseguiram levar dinheiro. A agência ficou danificada e no local foram encontradas munições de fuzil. Em outro caso recente, no último sábado, uma quadrilha explodiu uma agência do Banco do Brasil, em Goiânia. Numa operação cinematográfica, durante a madrugada, o grupo criminoso, portando explosivos e armas de grosso calibre, invadiu a agência atirando para todos os lados. O banco também foi alvo pela segunda vez, no período de um ano, e ficou tomado por estilhaços de vidros e peças do equipamento. ASSALTOS A BANCOS CRESCEM NO RIO Os dados do relatório obtido pelo GLOBO são alarmantes. O número de assaltos a agências dos Correios subiu de 75 no primeiro semestre de 2017 para 151 no mesmo período de 2018, aumento de 101%. No segmento de casas lotéricas, o número de ataques subiu 65%, de 78 para 129. Segundo a Confederação, o transporte de altas quantias em dinheiro, apesar de feito por profissionais qualificados e treinados não têm assustado os bandidos. “Os profissionais não têm equipamentos nem armas para proteger a própria vida. O resultado é o aumento contínuo de sinistros a cada ano”, diz, em nota, a entidade. O relatório também contabiliza 176 assaltos a banco, 12 a menos que o ano anterior, quando as agências registraram um pico de violência. O segmento de bancos foi o único que que teve uma leve baixa no número de ações criminosas, movida pelo melhor desempenho de São Paulo. Outros estados, como o Rio de Janeiro, não tiveram o mesmo êxito. No estado fluminense, que figura entre os mais violentos do país, subiu de 1 para 10 o número de assaltos a banco na comparação do primeiro semestre de 2017 com o primeiro semestre de 2018. O estado também registrou, em 2018, 49 assaltos a caixas eletrônicos. De acordo com dados da Federação Brasileira de bancos (Febraban), os bancos empenham grandes esforços para contribuir com as autoridades no combate a esse tipo de problema de segurança pública, do qual também são vítimas. O setor investe cerca de R$ 9 bilhões em segurança bancária todos os anos, o triplo do que era investido dez anos atrás. Procurada pela reportagem, a assessoria dos Correios afirmou que a empresa desenvolve ações preventivas em parceria com os órgãos de segurança, tanto em nível estadual quanto federal. As ocorrências são imediatamente comunicadas aos órgãos de segurança pública (Polícia Federal e Polícia Militar) para providências investigativas. Os Correios dizem que investem em diversos recursos de segurança para as Agências: Alarme monitorado, botão de pânico, cofres inteligentes, portas com detector de metal e vigilantes. Somente em 2017, os investimentos dos Correios com recursos de segurança para suas unidades foram na ordem de R$ 185,9 milhões. FONTE: O GLOBO 19/07/2018

Jornal SEEVISSP

Informativo da Segurança Privada – Outubro/2018

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